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Aline Diniz

Sou jornalista e sócia de uma agência de comunicação. Trabalhei por sete anos como colunista e repórter de Economia, depois fui assessora em órgão público por mais três. Passados alguns anos, volto com vontade de escrever sobre o que eu gosto: os bastidores da economia do Espírito Santo.

De aterros sanitários a usinas de biogás: empresas vão gerar energia a partir do lixo em 2019

De aterros sanitários a usinas de biogás: empresas vão gerar energia a partir do lixo em 2019

 Gustavo Ribeiro, diretor técnico da Marca Ambiental. Foto: Divulgação

Gustavo Ribeiro, diretor técnico da Marca Ambiental. Foto: Divulgação

São 1,2 mil toneladas de lixo recebidas diariamente na área de 2 milhões de metros quadrados em Cariacica. 53% desse total (650 toneladas por dia) são de resíduos orgânicos. Depois de alguns anos buscando parceiros, investidor e tecnologia no mercado, a Marca Ambiental tira do papel até meados do ano que vem o projeto de geração de energia a partir do biogás, que é originado da decomposição desses materiais.

“O investimento é relevante, os equipamentos serão importados e demoramos um certo tempo para encontrar um parceiro para viabilizar o projeto, que é prioridade para a empresa, pois estamos deixando de gerar energia. A geração de biogás é ilustrada por uma curva, que chega a um ponto máximo e após um tempo sofre uma queda. Portanto, células encerradas mais antigas dificilmente serão utilizadas para gerar energia. A porcentagem de resíduo orgânico do lixo no Brasil é considerável. Na nossa empresa corresponde a 53%”, explicou Gustavo Lopes Almenara Ribeiro, diretor técnico da Marca Ambiental.

Da decomposição do lixo surgem dois elementos com alto potencial poluidor e que geram o biogás de forma natural: o chorume, líquido tóxico que pode contaminar lençóis freáticos; e o gás metano, que chega a ser 21 vezes mais prejudicial para o efeito estufa do que o dióxido de carbono. O projeto prevê a captação, por meio de dutos, do biogás, que passará por um processo de purificação em uma usina com até cinco motogeradores para a geração de 5MW/hora, quantidade suficiente para abastecer cerca de 20 mil residências.

Atualmente, na Central de Tratamento de Resíduos da Marca Ambiental, o biogás gerado no processo de disposição final dos resíduos nas células de aterro sanitário é tratado por meio da queima e, nesse sistema, o gás metano é transformado em gás carbônico, o que minimiza seu efeito poluidor.

Motogeradores dentro de um contêiner

O grande desafio de instalar uma usina de biogás dentro de um aterro sanitário é a ligação das células (áreas tratadas para recebimento do lixo, com geomembrana, por exemplo) com os geradores. Células também que já foram encerradas há mais de três anos, conforme explicou o diretor técnico da Marca, têm uma geração baixa de biogás e são descartadas do projeto.

Sem revelar o investimento, ele explicou que os motogeradores já chegam montados dentro de um contêiner, sem ocupar muito espaço e para conter o alto ruído dos equipamentos.

Sustentabilidade

Gustavo Ribeiro ressalta que “esse futuro próximo” da Marca Ambiental reforça os conceitos da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que enaltecem a aplicação de tecnologias que visam aprimorar as técnicas de destinação. Dessa forma, a empresa estará praticando o ciclo de sustentabilidade que se inicia com a geração diária de resíduos nos lares/empresas e é finalizado na forma de energia a partir da valorização do lixo.

Esse processo de geração de energia poderia ser ainda mais eficiente se tivesse uma coleta seletiva, que hoje representa apenas 2% do total. Sem essa separação ainda não é viável economicamente fazer essa seleção dentro do aterro. Atualmente, na Região Sudeste, cada pessoa gera 1,21 quilo de lixo.

Área na Serra e caminhões elétricos

Responsável em meados de 1972 pelo projeto e execução do primeiro aterro sanitário do país, o Lauzane, em São Paulo, o engenheiro Cineas Feijó Valente continua com uma visão de futuro. Fundador e presidente da Corpus Saneamento e Obras, ele já recebeu seis dos primeiros 21 caminhões elétricos (de uma remessa de 200) no último dia 17, que serão os pioneiros para uso de transporte de lixo no país.

O piloto aconteceu em 2016 com apenas um veículo. Deu tão certo, que a mudança de matriz energética dos caminhões da empresa foi consolidada com uma parceria com a chinesa BYD, responsável pela fabricação do modelo e-T8A. Com um valor mais alto que os tradicionais, a depreciação é calculada para 10 anos. Porém, quando o assunto é sustentabilidade, os números saltam ainda mais os olhos: um caminhão elétrico deixa de emitir mensalmente 14 toneladas de dióxido de carbono (CO2), principal gás causador do efeito estufa.

A empresa está com estudos avançados para geração de energias sustentáveis e pretende utilizar o gás metano da decomposição do lixo para gerar energia e para abastecer não somente as suas instalações, mas toda a frota de elétricos. A Corpus já adquiriu uma área na Grande Vitória para implantação de um desses novos projetos no Estado. O estudo está em fase de licenciamento nos órgãos competentes. 

 Caminhão de lixo elétrico da Corpus. Foto: Divulgação

Caminhão de lixo elétrico da Corpus. Foto: Divulgação

Panorama no Brasil

Hoje são cerca de 125 plantas de biogás no país, segundo a Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (Abiogás), com 90% das empresas de médio e grande portes localizadas em estados das Regiões Sul e Sudeste do país. Não há registros no Espírito Santo.

Os empreendimentos geram 1.344.206 m3/dia. No Brasil, o biogás ainda tem uma participação pequena na matriz energética, sendo contabilizada com outros itens, como o bagaço e a palha da cana, conformando a chamada biomassa.

04.09.2018 - Empresas & Negócios

 

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