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Aline Diniz

Sou jornalista e sócia de uma agência de comunicação. Trabalhei por sete anos como colunista e repórter de Economia, depois fui assessora em órgão público por mais três. Passados alguns anos, volto com vontade de escrever sobre o que eu gosto: os bastidores da economia do Espírito Santo.

De gasoduto para Minas até terminais de regaseificação: elevado preço do gás natural abre espaço para novos investimentos

De gasoduto para Minas até terminais de regaseificação: elevado preço do gás natural abre espaço para novos investimentos

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Num estado produtor de gás natural, o preço pago pelos consumidores não é um dos mais baratos do país. Para falar a verdade, segundo empresários e estudos, o valor chega a ser 20% mais caro do que em São Paulo e até 70% do que é comercializado em Santa Catarina. A conta chega mesmo para indústrias que junto com as térmicas são responsáveis por quase 95% do consumo. Os outros 5% são demandados por clientes residenciais.

Com preço estipulado unicamente pela Petrobras – que, a propósito, no início do ano promoveu um reajuste de 11,75% na renovação do contrato de 10 anos, além dos aumentos trimestrais previstos, que foram de 7,57% em fevereiro e de 5,85% em maio –, empresários iniciam uma luta para tentar viabilizar projetos para garantir alternativas de fornecimento e, consequentemente, uma redução dos custos.

Dentre as ações, que poderão surtir efeitos a médio e longo prazo e são discutidas dentro do Conselho Temático de Infraestrutura e Energia (Coinfra) da Federação das Indústrias (Findes), estariam a atração de outras fornecedoras de gás natural (como a Shell, por exemplo), que já deram sinal positivo desde que exista um consumo que justifique os investimentos em trazer para o Espírito Santo o gás associado (extraído junto com o petróleo), como acontece no Rio de Janeiro e em São Paulo. E hoje, infelizmente, a demanda ainda é baixa: 3,5 milhões de metros cúbicos por dia (detalhe: com uma produção de 11 milhões, quase quatro vezes maior do que o consumo).

Terminais e gasoduto

Para aumentar esse consumo, vale de tudo, inclusive discutir medidas para a atração de investimentos para cá, como um polo petroquímico, plantas industrias, etc, e até mesmo unir forças com outros estados. Algumas reuniões já foram feitas com a Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) e a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) e se desenha muito fortemente a construção de um gasoduto ligando os dois estados.

Outra solução, apontada pelo presidente do Sindicato das Indústrias de Geração, Distribuição e Transmissão de Energia do Estado (Sinerges), Fabricio Cardoso Freitas, é a implantação de terminais de regaseificação – que transforma o GNL, ou seja, o gás em formato líquido, em gás novamente para distribuí-lo via gasoduto –, que já estão previstos nos projetos do porto da Imetame, em Aracruz, e do Porto Central, em Presidente Kennedy. São investimentos altos e que demandam uma série de licenças.

“Não temos condições de ter um fornecedor exclusivo. Para as indústrias serem competitivas, precisamos ter alternativas de moléculas mais baratas, e estamos no momento certo de discutir o tema com a criação da nova companhia de gás do Estado”, conta Freitas. Essa empresa, formalizada entre o Governo do Estado e a BR Distribuidora, foi anunciada em maio e aguarda trâmites de aprovação na Assembleia.

R$ 35 milhões a menos por ano

O elevado preço do gás por aqui não foi sempre assim. Até 2015 era um dos mais baratos do país e era considerado um fator atrativo para as indústrias. “Nos últimos seis meses, o valor decolou. E o que era um diferencial competitivo passou a ser um problema de estado. Indústrias agora se perguntam: vou fazer investimentos? Não! Ampliar? Não. É preciso até pensar se deve manter os negócios aqui”, conta Darks Casotti, CEO da Biancogres, terceira maior consumidora de gás do Espírito Santo, ficando atrás apenas da Vale e da Fibria.

A empresa perde R$ 35 milhões por ano com o valor elevado do gás. “É um esforço muito grande para reduzirmos gastos, não é fácil”, revela, ao pontuar uma série de atitudes que poderiam ser tomadas pela agência reguladora estadual para trazer mais competitividade ao contrato em vigor.

Apesar das dificuldades, Casotti ainda dá um voto de confiança aos negócios por aqui e afirma que há investimentos previstos para os próximos 18 meses na ampliação da produção, como placas de cerâmicas maiores. “Essa situação (do gás) não pode perdurar”, comenta.

Concorrência do Açu

A título de informação, na última segunda-feira (30), o presidente da Prumo Logística – holding que desenvolve o Porto de Açu, no Rio de Janeiro –, José Magela, anunciou investimentos de R$ 8 bi até 2023 na instalação de duas térmicas a gás natural e em um terminal de regaseificação de GNL, que começa a ser construído ainda neste semestre com capacidade para 21 milhões de metros cúbicos por dia.

01.08.2018 - Mercado

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