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Aline Diniz

Sou jornalista e sócia de uma agência de comunicação. Trabalhei por sete anos como colunista e repórter de Economia, depois fui assessora em órgão público por mais três. Passados alguns anos, volto com vontade de escrever sobre o que eu gosto: os bastidores da economia do Espírito Santo.

Escolaridade alta e salário médio de R$ 1.440: novo perfil do empregado no ES

Escolaridade alta e salário médio de R$ 1.440: novo perfil do empregado no ES

 Foto: banco de imagem / pxhere

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Teve saldo positivo o número de empregados no primeiro trimestre deste ano no Espírito Santo. Foram 75.585 demitidos e 81.695 admitidos, resultando em 6.110 vagas ocupadas, com salário médio de R$ 1.440, conforme análise do Instituto de Desenvolvimento Educacional e Industrial (Ideies) com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Somente em março foram 1.780 novos postos de trabalho.

Equivalente a menos de dois salários mínimos (R$ 1.908), a média salarial é feita com os admitidos formais nos setores da indústria (maior empregador e que teve a maior média salarial na extrativa mineral, de R$ 2.029), comércio (pior desempenho, com demissão de 2.682, e menor salário, de R$ 1.263) e serviços, com 4,1 mil contratações e remuneração média de R$ 1.443.

“Esse resultado de 6.110 vagas não pode ser desprezado, uma vez que foi o primeiro positivo para o período desde 2014. Claro que ainda não é suficiente para absorver de forma satisfatória o contingente de desocupados no Espírito Santo”, avaliou o diretor executivo do Ideies, o economista Marcelo Saintive. A taxa de desempregados passou de 6,9% no início de 2015 para 11,6% ao final de 2017, segundo a PNAD-C.

Salário compra 3,5 cestas básicas

Com o salário médio de R$ 1.440, é possível comprar apenas 3,5 cestas básicas na Grande Vitória, levando em conta o último levantamento do Dieese, cujo valor foi de R$ 410,84. Por sinal é a quinta cesta mais cara entre as capitais do país.

2% estão acima de quatro salários mínimos

Em março, foram admitidas 495 pessoas com remuneração acima de quatro salários mínimos (R$ 3.816), correspondendo a 2% do total de ocupação no período no ES. “Foram feitas contratações em faixas de remuneração mais alta que no Brasil. Esse cenário, combinado a interrupção dos sucessivos períodos de demissões, indica um horizonte melhor para o mercado de trabalho capixaba”, analisou Saintive, ao destacar que não são esperados aumentos salariais significativos neste ano.

Tendência é escolaridade alta

Em março, os empregados contratados possuíam principalmente nível médio (1.174 vagas) ou superior completo (541). Já os desligamentos aconteceram em peso no fundamental completo (-244 empregos) e fundamental incompleto (-138). Ou seja, procura por mão de obra qualificada e dispensa de pessoas com menor qualificação profissional. “Há uma tendência no Espírito Santo. Ocorreu uma mudança significativa na contratação, um rearranjo neste primeiro trimestre”, disse o diretor executivo do Ideies.

Aracruz, Serra e Vitória na frente

O Espírito Santo foi o nono estado que mais gerou empregos no primeiro trimestre. Aracruz (2.136, sendo 986 na construção civil e 931 na indústria da transformação), Serra (1.606) e Vitória (627) foram os municípios que mais contrataram, enquanto que Guarapari, Cachoeiro de Itapemirim e Marataízes lideraram nas demissões, com 563, 192 e 119, respectivamente.

A título de curiosidade: São Paulo foi o estado que mais contratou (83 mil postos), seguido por Rio Grande do Sul, com 43,8 mil. Alagoas, Pernambuco e Rio ficaram em baixa com -22,4 mil, -21,7 mil e -12,3 mil, respectivamente.

Relação emprego x produtividade

Fato é que a indústria foi a maior empregadora, mas o último dado divulgado pelo IBGE aponta uma queda na produção no Espírito Santo. Como o Caged inclui a construção civil dentro do segmento industrial, o diretor executivo do Ideies explica que há uma dificuldade em relacionar os dois indicadores.

“Embora o resultado positivo no primeiro trimestre, de fato, seja animador, acredito que ainda seja cedo para se falar em retomada. A produção industrial realmente vem caindo na margem. Esse cenário somado às reduções observadas na expectativa de crescimento da economia não configura ainda uma retomada, mas também não impede um olhar mais otimista sobre a economia capixaba”.

De fato: foram 6.110 postos formalizados no primeiro trimestre do ano. No mesmo período em 2015, 2016 e 2017 foram demitidos 5.271, 10.890 e 1.703 trabalhadores, respectivamente.

03.05.2018 - Mercado

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