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Aline Diniz

Sou jornalista e sócia de uma agência de comunicação. Trabalhei por sete anos como colunista e repórter de Economia, depois fui assessora em órgão público por mais três. Passados alguns anos, volto com vontade de escrever sobre o que eu gosto: os bastidores da economia do Espírito Santo.

IM no Cade: da briga de sócios até o posicionamento contrário das operadoras e hospitais à venda do São Bernardo Saúde

IM no Cade: da briga de sócios até o posicionamento contrário das operadoras e hospitais à venda do São Bernardo Saúde

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Ao longo dos últimos dias, as operadoras de saúde e hospitais atuantes no Estado se posicionaram contra o processo de compra da São Bernardo Saúde pela Athena Saúde Espírito Santo, empresa formada pela Pátria Investimentos, que hoje é dona da Samp, Sames e do Vitória Apart Hospital (VAH). As empresas responderam a um questionário do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

No ato de concentração, que se encontra na Coordenação Geral de Análise Antitruste, ocorre paralelamente um movimento de um grupo formado por seis sócios do São Bernardo Apart Hospital que quer participar das negociações. Esse grupo já conseguiu ser incluído no processo e agora solicita documentos confidenciais, que já foram negados pelos advogados da Athena/São Bernardo.

O IM tentou contato com o advogado do grupo dos sócios minoritários, mas, por meio de mensagem, ele informou que não está autorizado a dar detalhes sobre o processo.

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Briga intensa

Como dito na coluna de maio, caso a compra seja aprovada – considerada uma operação difícil para muitos do segmento –, a maior briga será entre a Samp/São Bernardo Saúde e a Unimed. Nos bastidores, essa disputa já começou. O grupo Athena, holding que reúne os investimentos do Pátria no Estado, contratou dois ex-diretores da Unimed Vitória: Guilherme Crespo para diretor de Saúde e Remegildo Gava Milanez para Relações Institucionais.

Questionário

Depois de responderem ao questionário (resumo abaixo), as operadoras e hospitais do Estado terão agora mais uma leva de informações a serem enviadas ao Cade até o próximo dia 17. O órgão solicita o volume de vendas (novas vidas) de 2014 a 2018 de planos de saúde médico-hospitalares coletivos empresariais por tipo de cobertura.

Nas primeiras respostas ao Cade, a própria Unimed, na figura do diretor-presidente recém-empossado, Fernando Ronchi, afirmou o que já era esperado: com a operação, o principal impacto seria de market share, visto que a Athena deteria mais de 260 mil vidas na sua área de atuação – 19 municípios do Espírito Santo –, o que significaria um pouco mais de 30% do mercado. “Além da aquisição do maior hospital do Estado, o Vitória Apart Hospital”, reforçou no questionário.

As perguntas feitas pelo Cade aos hospitais e operadoras englobaram tanto a concorrência no mercado de planos de saúde como também um possível descredenciamento dos planos do VAH. Além disso, foram feitos questionamentos sobre as parcerias com as clínicas de diagnósticos de imagem – CDI e Multiscan, que, conforme anunciado nesta semana pelo Pátria passam a se chamar Multiscan. O Pátria é dono ainda do Biolab.

Unimed Norte Capixaba

No questionário respondido pela supervisora administrativa, Luana Cristina Alberti, a Unimed Norte reforçou que a operação trará “forte concorrência com recurso financeiro expressivo” e acredita que “os valores possivelmente praticados pelo novo grupo na oferta dos planos de saúde poderão ser inviáveis para manutenção da saudável concorrência”.  Disse ainda que, caso ocorra o descredenciamento do VAH, a demanda pode ser absorvida pelos demais hospitais, porém há alguns procedimentos realizados exclusivamente no ambiente hospital do VAH, como a radioterapia.

Hospital Santa Rita de Cássia

O diretor administrativo e financeiro do Hospital Santa Rita de Cássia, Juliano Nevas Borges Campos, reforçou que atualmente os dois maiores concorrentes são o VAH e o Metropolitano. Questionado sobre o impacto para o hospital no caso de descredenciamento da rede da Samp e do São Bernardo, disse que são os convênios com os maiores faturamentos no hospital, e assim “sofreria uma redução imediata em sua receita”. Finalizou ainda com a seguinte ponderação: “Cabe ressaltar que o Espírito Santo possui um mercado restrito na área da saúde suplementar com vidas concentradas em poucas operadoras de plano de saúde. A concentração desse mercado (vidas e prestadores de serviços) por grupos de investimento, como se tem observado nos últimos anos, pode gerar grande instabilidade para os demais players existentes (clínicas, laboratórios e hospitais)”.

Unimed Sul Capixaba

Com cerca de 83 mil usuários no Sul do Estado, a operadora é uma cooperativa integrante do Sistema Unimed mas que, independente disso, mantém sua autonomia gerencial, econômica e financeira. O questionário foi respondido pela gerente do Núcleo Jurídico, Kamila Nunes de Almeida Fajardo. “É importante esclarecer que a Unimed Sul Capixaba é uma cooperativa efetivada a operação que se pretende, a operadora resultante da concentração será a maior do Estado. Embora a atuação não esteja voltada a área de ação da Sul Capixaba, é provável que influencie negativamente na concorrência, em especial na contratação de rede credenciada, que será reduzida impactando o consumidor”.

Dentre os pontos negativos da operação, ela destacou: diminuição da rede credenciada, provável dumping – considerando que o grupo Athena está propondo concentrar o mercado -, falta de leitos para os concorrentes da Samp, e diminuição dos valores praticados para pagamento da rede credenciada em detrimento ao lucro.

Unimed Vitória

Conforme questionário respondido pelo diretor presidente, Fernando Ronchi, o primeiro impacto da operação e mais mensurável é no market share. “São duas aquisições que somam mais de 260 mil vidas na nossa área de atuação, pouco mais de 30% do mercado. Além da aquisição do maior Hospital do Estado, Vitória Apart Hospital. Um impacto que pode vir a ocorrer é na qualidade do serviço prestado, pois eles trabalham com um ticket médio baixo, com maior potencial de atrair novos beneficiários, podendo aumentar consideravelmente a carteira de clientes, correndo o risco de cair a qualidade e disponibilidade do serviço, prejudicando o maior bem de um plano de saúde, seus beneficiários”.

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Fundação Beneficente Rio Doce

Mantenedora do Hospital Rio Doce, em Linhares, o questionário foi respondido pelo diretor-financeiro André Gusmão Coimbra, pela coordenadora do plano de saúde, Gabriela Braz, e pela assessora técnica Ana Lúcia Moelas. A fundação tem um hospital e um plano de saúde próprio. “Como atualmente a Fundação Beneficente Rio Doce é a única entidade hospitalar na região com atendimentos a diversos convênios, entendemos que essa operação poderá contribuir com o crescimento do Hospital Rio Doce, bem como da região, onde a tendência é um crescimento de beneficiários na saúde suplementar”.

Central Nacional Unimed

A advogada Biara Haisumura reforçou que a operação não trará impacto para a Central, uma vez que não comercializa planos de saúde na área de abrangência. Reforçou, mais uma vez, que o VAH possui um setor para tratamento de queimados, que nenhum outro hospital credenciado da região dispõe.

Hospital Unimed Noroeste Capixaba

No questionário respondido pelo assistente administrativo João Marcos Mariani, o impacto da operação no mercado de planos de saúde seria “aumento na concorrência pelo forte poderio financeiro do grupo, possível diminuição de valores visando tomar fatia de mercado, tornando assim dificultosa e delicada a manutenção da operação”.

Grupo Meridional

O questionário foi respondido por Antônio Alves Benjamim Neto e por Vander Riscifina Junior.  O Grupo Meridional hoje é composto dos seis hospitais, sendo um presente no município da Serra (Hospital Metropolitano). O principal concorrente do Grupo Meridional no mercado de hospitais-gerais no município de Serra é o VAH. As respostas foram repassadas ao Cade com acesso restrito ao público. No questionário, eles destacaram também que a Samp é credenciada nos hospitais Meridional, Metropolitano, Meridional Praia da Costa. São Francisco e São Luiz. O São Bernardo é credenciado apenas no Hospital Metropolitano.

Bradesco Saúde

Segundo o advogado Guilherme Silveira Coelho, “não é possível, a priori, identificar o impacto na operação de planos de saúde nos municípios identificados em decorrência desse ato de concentração. Possível aspecto positivo é a capacidade dos hospitais de obterem ganhos de sinergia internos, traduzindo-se em menores custos e maior capacidade técnica, o que beneficiaria as negociações com os planos de saúde. Possível aspecto negativo seria a redução de hospitais independentes da região. No entanto, a seguradora não vislumbra, pelos volumes de atendimento, que esse ato traga significativas modificações na dinâmica concorrencial da região”.

Hospital Praia do Canto

No questionário, respondido pela coordenadora de RH do hospital, Elaine Cristina Dalmaso, ela reforça que, caso o estabelecimento seja descredenciado dos planos Samp e São Bernardo Saúde, “o impacto será extremo, considerando os valores de faturamento”.

Casa de Saúde Santa Maria

Os diretores Gustavo dos Santos Costa e Débora Marques de Oliveira reforçaram que a maior preocupação com a operação “é a possível redução no atendimento dos pacientes dos planos de saúde do qual estas empresas fazem a gestão. A SAMP/SAMES é o nosso maior faturamento, perder esse cliente nos afeta diretamente”.

SulAmérica e Amil

As respostas estão em acesso restrito ao público.

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11.07.2019 - EMPRESA & NEGÓCIOS

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