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Aline Diniz

Sou jornalista e sócia de uma agência de comunicação. Trabalhei por sete anos como colunista e repórter de Economia, depois fui assessora em órgão público por mais três. Passados alguns anos, volto com vontade de escrever sobre o que eu gosto: os bastidores da economia do Espírito Santo.

Seis novas cervejarias num mercado de milhões

Seis novas cervejarias num mercado de milhões

 Foto: divulgação

Foto: divulgação

Uma “moda” que caiu literalmente no gosto do capixaba e que vem movimentando mais de R$ 18 milhões por ano: o Espírito Santo deve receber nos próximos meses seis novas cervejarias. São fábricas artesanais, com produção entre cinco e 10 mil litros por mês, que estão em fase de implantação ou no aguardo de licenças para início das operações.

Mercado considerado promissor por empresários e sommeliers do ramo, o principal motivo se resume ao aumento gradativo do consumo no país. Por aqui atualmente são 12 fábricas, responsáveis por 60 mil litros/mês. “A produção ainda é baixa porque apenas 10% são engarrafadas. Existe muito campo a ser explorado. A cerveja pode ser levada à mesa, harmonizada com pratos e sobremesas”, conta o presidente da Associação dos Cervejeiros Artesanais do Estado (Acerva-ES), Sandro Rizzato.

Em números: são 610 fábricas instaladas no Brasil, com consumo per capita ano de 66,9 litros. O Estado ocupa a nona colocação entre os 10 principais estados produtores. São Paulo sai na frente com 120 cervejarias.

Escola de Breja: espaço para conhecimento

Essa euforia abriu espaço para a inauguração, no início do mês, da Escola de Breja, em Santa Lúcia (Vitória), com cursos para formação de cervejeiro, de degustação e harmonização e para profissionais da área. Além disso, com a ideia de se tornar um “centro cultural cervejeiro”, a base serve de apoio às cervejarias ciganas (sem fábrica própria), com área fria e de estancagem, além de uma loja de bebidas artesanais. O primeiro curso já fechado será nos próximos dias 23 e 24.

Brewpub em shopping: a arte de produzir e vender

Com uma produção prevista de 10 mil litros por mês, a Cerveja Casa 107 terá sua fábrica própria dentro do Shopping Vitória. O espaço, a ser inaugurado antes da Copa do Mundo, será no formato brewpub, local onde se produz e vende a própria bebida.

Esse modelo é a tendência no Brasil, seguindo o que já acontece há anos nos Estados Unidos. O investimento será de R$ 1 milhão, conforme contou um dos sócios Marcelo Netto. Atualmente a Cerveja Casa 107 já produz esse volume de cerveja, de forma “cigana”, e abriu na semana passada uma loja, na Mata da Praia (Vitória). No portfólio: India Pale Ale (IPA), Pielsen, Witbier e Stout.

Fábrica na Serra e união em Vitória

Em fase de testes, a Convento Cervejaria deve iniciar nos próximos meses a fabricação de suas cervejas especiais na Serra. Investimento de R$ 600 mil e um diferencial: capacidade de expandir sua produção de 5 mil para 15 mil litros por mês, partindo da perfumada American Pale Ale (APA) até IPA e Bohemian Pilsner.

Entusiasta e um dos idealizadores do projeto Anderson Albuquerque conta que para alcançar o sabor diferenciado (e sem volta para as cervejas tradicionais), há um caminho a ser percorrido. Para operacionalização do negócio, as dificuldades vão desde equipamentos caros, falta de mão de obra qualificada na montagem e os inúmeros alvarás e licenças.

Nova fábrica também na Ilha de Monte Belo, em Vitória: a Trindade se uniu com a Tourus e com investimento de R$ 1 milhão devem iniciar em dois meses a produção entre oito a 10 mil litros por mês. São 12 tipos de cervejas, conta o sommelier Marcelo Marinho.

E o PIB capixaba?

Não cresce no ritmo do consumo da cerveja especial no país, mas registrou alta de 1,7% em 2017, no comparativo com o 2016. Em valores nominais, o PIB no Espírito Santo alcançou R$ 120,8 bilhões. "Esse resultado confirma a recuperação da economia capixaba, após dois anos de recessão”, explica a diretora-presidente do IJSN, Gabriela Lacerda. 

15.03.2018 - Empresas & Negócios

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