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Aline Diniz

Sou jornalista e sócia de uma agência de comunicação. Trabalhei por sete anos como colunista e repórter de Economia, depois fui assessora em órgão público por mais três. Passados alguns anos, volto com vontade de escrever sobre o que eu gosto: os bastidores da economia do Espírito Santo.

Startup cria primeiro sistema educacional exclusivo para surdos

Startup cria primeiro sistema educacional exclusivo para surdos

Foto: Equipe da Edukanet/ Divulgação

Foto: Equipe da Edukanet/ Divulgação

Dois anos de projeto e o envolvimento de mais de 25 profissionais – de fonoaudiólogos, professores, desenvolvedores, surdos e outros -, a startup Edukanet conseguiu colocar no mercado neste ano uma plataforma digital com o primeiro sistema de ensino do país de apoio educacional para surdos. A intenção é reforçar o ensino para os atuais alunos da rede pública, reduzir a evasão escolar e ganhar espaço em outros estados.

A Edukanet já foi apresentada para o Governo do Estado e busca parceria também em outras regiões, como duas capitais do Nordeste, uma do Sudeste e outra do Centro-Oeste. Foram “alguns milhares de reais” investidos, como disse um dos sócios Cristiano Batista dos Santos, que atuava no mercado financeiro, para atingirem a fórmula atual: uma metodologia que conecta o conteúdo didático dos livros ao material visual contextualizado e complementar em vídeo.

“A Edukanet já nasceu utilizando a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para contextualizar histórias e construir enredos didáticos, em uma linguagem própria ao surdo, totalmente diferenciada. Assim desenvolvemos um sistema que envolve o aluno, o professor e o intérprete”, reforçou Santos. O material pedagógico de apoio vai abranger cinco matérias: português, matemática, geografia, história e ciências, começando pelo Ensino Fundamental II.

Os primeiros livros – sendo dois para alunos e dois para os professores – já estão disponíveis para os estudos da língua portuguesa assim como uma plataforma com mais de 60 vídeos. “Não adianta, por exemplo, ensinar história para quem tem dificuldade do português. Já estamos caminhando também com os conteúdos de matemática e de alfabetização para a criança surda”, explicou o sócio.

Como funciona?

O aluno surdo irá visualizar o conteúdo na escola ou em casa no celular através da plataforma criada pela Edukanet. Em caso de dúvidas, o esclarecimento será feito com o professor/intérprete na escola. Sugestões de temas, dúvidas dos professores poderão ser enviadas para a central de relacionamento para possível desenvolvimento de novos vídeos.

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Deficiência auditiva

O Brasil conta hoje com cerca de 10 milhões de deficientes auditivos, o que representa algo em torno de 5% da população. Quase 1 milhão são crianças e jovens até 19 anos. No Espírito Santo são aproximadamente 200 mil surdos. Os dados são do IBGE.

Conforme nota da Secretaria de Estado de Educação (Sedu) com base em dados de fevereiro: “É considerado deficiente auditivo aquele que possui algum resquício de audição. Surdo é aquele que perdeu totalmente a audição, enquanto que surdo-cego são aqueles que possuem ambas deficiências. Assim, temos matriculados na rede, 396 alunos que possuem alguma deficiência na audição”. Do total, 255 estudantes são deficientes auditivos, 139 surdos e dois surdos-cegos. Há ainda os alunos da rede municipal.

Surdos na família

Dos sócios, dois têm casos de surdez na família. Cristiano tem um tio de 62 anos que nasceu surdo e passou a conversar com todos pelo grupo de whatsapp. “Depois que eu o coloquei no grupo, imagina a felicidade de toda a família? E foi assim que eu percebi que é possível ter mais interação com os deficientes”. Já o pai do Giuliano Santos, outro sócio do projeto, também é surdo.

Educação inclusiva

O deputado federal Felipe Rigoni, primeiro parlamentar cego da história, elogiou a iniciativa. "Se a educação deve ser para todos, não podemos tratar todos da mesma maneira", destacou Rigoni, que assumiu a coordenação de Educação Especial, Indígena e de Comunidades Tradicionais na Frente Parlamentar Mista de Educação.

“Existe uma diferença entre adaptação e inclusão. É preciso pensar em um sistema que respeite as diferentes habilidades de cada um para que todos alcancem resultados similares. Só criando um ambiente que promova oportunidades iguais resolveremos os problemas do país”, argumentou.

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