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Aline Diniz

Sou jornalista e sócia de uma agência de comunicação. Trabalhei por sete anos como colunista e repórter de Economia, depois fui assessora em órgão público por mais três. Passados alguns anos, volto com vontade de escrever sobre o que eu gosto: os bastidores da economia do Espírito Santo.

“Temos que diversificar e melhorar o perfil da carteira”

“Temos que diversificar e melhorar o perfil da carteira”

Foto: divulgação/Bandes

Foto: divulgação/Bandes

O economista Maurício Cézar Duque tomou posse na última semana como diretor-presidente do Banco de Desenvolvimento do Estado (Bandes), instituição estadual criada em 1967 que atualmente conta com uma carteira agarrada no agronegócio – café, pecuária e pimenta somam 65% – e um resultado “aquém do esperado”.

Na primeira entrevista do blog, Duque explica o motivo que ficou por apenas 30 dias como economista-chefe do Banestes e aceitou o desafio de presidir o banco. No seu discurso durante a posse, ele reforçou transparência, tratamento igualitário – do CEO de grupo empresarial ao dono da quitanda – e a necessidade de diversificação de carteira.

Quanto aos números do Bandes, o diretor-presidente pontua: R$ 1 bilhão na carteira, com 37 mil contratos e 24 mil clientes ativos. 95% do valor na iniciativa privada e apenas 5% com o setor público (ele já fala em linhas de crédito e parcerias com os municípios). Tem mais: 65% do crédito com pessoas físicas, enquanto que a indústria representa apenas 6%.

– O senhor foi anunciado e ficou no cargo por 30 dias como economista-chefe e presidente do Conselho do Banestes. Por que abrir mão do Banestes e aceitar o convite para presidir o Bandes?

Desde a eleição do governador Renato Casagrande, eu estava participando, em face da minha experiência profissional, de discussões sobre assuntos relacionados à área financeira e de desenvolvimento do Estado. A equipe de governo e eu acreditamos que minha experiência poderia ajudar na relação com o segmento produtivo e, em especial, no apoio aos processos de concessão que estariam por vir. No primeiro momento, decidiu-se que esse apoio poderia ser feito via Banestes. Com a decisão do Ângelo [Baptista] em aceitar um desafio profissional na área privada, achamos que a estrutura de apoio a esses processos poderia ser realizada pelo Bandes. Diante disso e do respeito que tenho pela instituição, aceitei o convite para a presidência do banco.

– O último resultado divulgado do Bandes foi de um lucro líquido de R$ 1,7 milhão, que, na minha opinião, considero um desempenho baixo. Como o senhor o avalia e como pretende reverter esse quadro?

Sim. O desempenho está aquém do esperado. Entendo perfeitamente que uma instituição financeira de desenvolvimento não tem como premissa apenas o resultado financeiro, mas é salutar que qualquer instituição financeira tenha resultados consistentes e que sejam utilizados para realimentar o seu próprio sistema de fomento e financiamento. E procuraremos reverter com um equilíbrio maior na carteira do banco, diluindo o risco e, consequentemente, as necessidades de provisionamentos e, na outra ponta, ampliar o leque de captação de recursos. Enfim, objetivamente, diversificar e melhorar o perfil da carteira e captar mais e com custos menores.

– Também o último relatório cita que o Bandes direcionou quase R$ 650 milhões, entre operações de crédito e liberações do Fundap, para os empreendimentos do Espírito Santo. As operações com o Fundap ainda são importantes para o banco?

A carteira Fundap ainda é importante, mas não mais como antes. Desde a resolução do Senado que reduziu as alíquotas de importação, a carteira vem reduzindo sua participação nas receitas e no resultado do banco. Mas, já se passaram mais de cinco anos e a instituição se adequou, ao menos deveria, ao novo momento.

– Além do Fundap, quais são os fundos hoje operacionalizados pelo banco? Poderia me passar uma ordem de participação de cada?

O Bandes tem uma larga expertise na administração de fundos. Hoje, na carteira da instituição, estão listados o Fundes, Fundesul Presidente Kennedy, Funcitec, Fundepar, Fundágua, Fundo Renova e Fundesul, este último mais abrangente, voltado para 27 municípios da Região Sul do Estado.

 – O Bandes hoje possui uma carteira de R$ 1 bilhão, com 37 mil contratos e 24 mil clientes ativos. Em seu discurso de posse, o senhor falou em uma carteira com maior equilíbrio. O que seria isso, na prática, e como seria feito?

Como disse antes, precisamos diversificar a carteira. O equilíbrio citado é reduzir o percentual de participação dos setores mais representativos, o que não necessariamente significa reduzir pura e simplesmente as operações para esse segmento. Pode ser – e é o que esperamos – que se dê com a ampliação da carteira global.

– Com 65% do crédito com pessoas físicas, por que a participação da indústria é tão baixa na carteira do Bandes, com apenas 6%, na visão do senhor?

A participação da indústria no total de créditos do Bandes está realmente reduzida e reflete uma oferta de produtos que não está em consonância com as expectativas do segmento. Já iniciamos as conversas internas e também com a Findes e demais entidades representativas para moldar linhas e/ou produtos que possam fazer com que o Bandes volte a ser um parceiro importante da indústria.

– Agentes econômicos estão revendo para baixo o PIB deste ano (de 2,5% já passou para 1,7%), o mercado de trabalho ainda não melhorou. Acha que há espaço, no cenário econômico, para fazer o banco crescer em 2019?

Eu acredito que sim. Talvez não ocorra exatamente em 2019, que deve ser um momento de reestruturação do próprio Bandes. Mas, considerando que estamos atuando de forma muito tímida com alguns segmentos, entendo que podemos apresentar números mais robustos já no curto prazo.

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24.04.2019 - ENTREVISTAS

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